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 Foi neste enquadramento que, em 1964, Fernando Pinto Leite (5º Visconde dos Olivaes), assumiu a liderança da Instituição. Face às ameaças feitas pela Direcção-Geral de Assistência de que encerraria a escola por falta de condições mínimas de funcionamento, o representante da Família iniciou um processo de auscultação da população residente no sentido de apurar que expectativas os cucujanenses teriam relativamente à Instituição, cedo se apercebendo de que tudo teria de ser feito para impedir o Estado de encerrá-la. Foi assim dada prioridade à realização de um conjunto de estudos que permitissem viabilizá-la, os quais tiveram como consequência a aprovação de um ousado plano de reconversão, o qual se tornou possível também graças à alienação de algum do património imobiliário.
       Encetou-se então a reconversão das actividades agrícolas tendo sido plantado um pomar com 2,5 hectares, hortas e ainda criados animais diversos que vieram a possibilitar, de imediato, a melhoria da alimentação de todas as pessoas que frequentavam e trabalhavam na instituição. Em consequência dos investimentos realizados e da gestão mais eficiente entretanto imprimida, a Instituição passou a produzir e a comercializar, de forma intensiva, produtos agrícolas e pecuários, com o lucro dos quais, foi sendo possível durante vários anos manter e melhorar o ensino e o apoio geral às crianças.
Em 1974 o Asilo da Gandarinha, que nessa altura disponha de um orçamento anual de 744 contos (3720 euros), passaria por várias vicissitudes, o que veio  a justificar uma alteração estatutária relevante, conduzindo o mesmo à sua transformação na actual Fundação Condessa de Penha Longa, cujos estatutos foram aprovados por despacho ministerial de 12 de Julho de 1975 e publicados na 3ª série do diário da República nº 183 de 9 de Agosto do mesmo ano. Entre as principais alterações em relação ao modelo anterior ressaltava a criação de um Conselho de Direcção e um Conselho Fiscal integrando pessoas de Cucujães.
Apesar de ter sido projectado ainda em finais dos anos 60, só em 1981 veio a ser inaugurada a Creche-Jardim de Infância com capacidade para 90 crianças, a qual, por sua vez, viria a sofrer uma ampliação para 130 crianças doze anos mais tarde. Nesta altura, e desde 1979, já o Estado reforçara os apoios à instituição, designadamente, aumentando o apoio mensal, por aluno, de 2,5 euros para 4 euros! Valiam, de facto os donativos, a agro-pecuária e os subsídios pontuais.
Desde o seu inicio que a Instituição se ressentiu, na sua acção, das enormes contradições entre, por um lado, a vontade em promover o crescimento cultural da comunidade e, por outro, a premência em ocorrer à satisfação das necessidades mais básicas de muitas crianças e jovens.
Da sua história destacam-se sucessivos projectos e experiências praticas que tentaram responder às óbvias carências do ensino público e do apoio social e que se reflectiram num crescente conjunto de meios e serviços ao dispor da comunidade.
Hoje a Fundação é confrontada com diferentes necessidades que exigem mais do que a clarividência do papel da cultura em geral e da educação em particular, sensibilidade e abertura para a complexa realidade que nos rodeia. Falar da Fundação Condessa de Penha Longa, enquanto prestadora de serviços de apoio às populações nas suas vertentes educativa e assistencial é referir uma parte do século 19, todo o século 20 e, para já, o inicio do século 21.
Períodos houve em que o combate à fome, à miséria social e ao alfabetismo canalizaram todas as energias da Instituição. Foi o tempo em que, sem um Estado socialmente interventivo, a solidariedade era eminente assumida pelos particulares.

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Prefaciado por Marcelo Rebelo de Sousa

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